Fotamecus: Parte 3
2 Janeiro, 2009
Fnord!, estamos acabando a série de quatro postagens sobre Fotamecus, a egrégora que pode te ajudar com o seu tempo… Espero que tenham notado, ao fim desta leitura, em como a minha tradução destes textos contribui com o fortalecimento da egrégora de de minha relação com ela.
Não Me Culpe, Culpe Meu Servidor
por Fenwick Rysen
26 de Julho de 1998
(Publicado no Kaos Magick Journal, verão de 1999
Eu não estou certo se deveria ou não estar preocupado; veja, Chronos é um Deus do Tempo legal o bastante, mas ele é um pouco velho e não tenho certeza se ele tem chance contra o que está para abatê-lo. Claro, por ter subjugado toda a sociedade ocidental ao relógio talvez ele realmente mereça, mas eu ainda sinto um tipo de pena dele.
Tudo começou quando comecei a brincar com a idéia de magick do tempo. Não que eu seja responsável pelo que está chegando, entenda – passo a culpa logo para o Fotamecus antes que alguém me culpe. Deixei ele livre por aí já há algum tempo e não tomei nenhuma responsabilidade pelos seus atos, especialmente com ele esbravejando por aí, “Chronos, sua hora está chegando” toda vez que eu o via. Talvez eu deva explicar.
Meu próprio envolvimento com a magick do tempo é acidental: um dia eu estava pensando em como o tempo flui, e como cada hora, supostamente, tem a mesma duração de todas as outras. Mas isso não faz sentido para mim – por vezes uma hora voa como se fosse minutos, e outras vezes se arrasta por séculos. Minha conclusão foi mais ou menos assim: se nós podemos usar magick em qualquer área de nossas vidas, e se o Tempo é uma substância mutável, por que não usar magick para moldar o tempo? E pensar geralmente me traz problemas, cedo ou tarde.
Então, uma tarde, atrasado, passou pela minha mente usar magick para conseguir chegar a tempo. Ouvindo o rádio enquanto dirigia pela estrada, criei uma Declaração de Intento apropriada: “Force o tempo a se comprimir”. Uma vez que direção e sigilação artística não combinam, reduzi o intento em um mantra de quatro sílabas para cantar junto com o rádio: “Fotamecus”. Apesar da pouca preparação, isso funcionou excepcionalmente bem, e eu pensei que a operação estava completa.
No dia seguinte um grande amigo meu, Quinn, o Profeta Louco (não questione), me abordou sobre técnicas de sigilação à lá Austin Osman Spare. Para exemplificar escolhi “Fotamecus”, explicando-lhe o sucesso do dia anterior. A partir do mantra, criei um sigilo artístico para que Quinn pusesse em sua carteira para usar como referência futura, inadvertidamente o colocando sobre a influência do sigilo. Muitas histórias sobre trânsito seguiram rapidamente, culminando num concerto do Metallica, onde o objetivo de Quinn era o sugar toda a gnose que pairava no local.
Toda essa gnose livre que Quinn sugou foi despejada no sigilo de Fotamecus para acelerar a viagem de volta para casa; então, o que seriam duas horas de viagem, tomou apenas trinta minutos. Ainda mais surpreendente foi que a energia foi o suficiente para empurrar o sigilo até a classe de servidor. Eu já havia usado essa técnica antes, alimentando um sigilo com gnose o suficiente para ele se tornar um servidor, mas nem eu nem o Profeta Louco havíamos feito isso por acidente. Então, sem uma casa e sem lugar para ir, o agora servidor Fotamecus, jovem e desinteligente, começou a nos seguir. Sempre que queríamos comprimir ou expandir o tempo bastava alimentá-lo com um pouco de gnose e ele ia fazer o trabalho. O servidor começou a “crescer” enquanto o alimentávamos, ficando um pouco mais inteligente e bem mais forte cada vez que o usávamos. Pensávamos que tudo ia de vento em popa, afinal quanto mais forte fosse, melhor fazia seu trabalho.
No fim de semana do feriado de Ação de Graças, em 1996, estávamos eu e mais seis caoístas abarrotados numa van em direção do Death Valley. Quando chamei Fotamecus estávamos na área da Baia de San Francisco, e cobrimos cinqüenta milhas em quinze minutos através do trânsito intenso e do MacArthur Maze, o mais vertiginoso cruzamento de rodovias conhecido pelo homem. Imediatamente após Fotamecus começar a trabalhar, deixamos para trás o carro de amigos que estava nos seguindo.
Ainda matamos mais quarenta e cinco minutos numa parada, mais tarde, e, quando voltamos para a estrada, acabamos por encontrar o carro que nos seguia, ainda que ele não tivesse feito nenhuma parada. Pensávamos que a magick trabalhou muito bem, então ela recebeu uma folga pelo resto daquele dia.
Quando o tempo é comprimido, uma quantidade igual de tempo deve ser expandida. O balanço se mantém. Demoramos perto de uma hora para atravessar um trecho deserto da rodovia, viajando a sessenta milhas por hora. Se já tivéssemos chegado ao nosso destino, então a expansão do tempo seria boa, mas a única coisa que Fotameus conseguiu com isso foi compensar o tempo que havia inicialmente comprimido.
Depois de vários eventos semelhantes nós trabalhamos em cima de diversas idéias para corrigir o problema e chegamos à idéia de servidores virais – a chave para o processo de mutação que permitiria a Fotamecus crescer além de nosso controle. Trabalhamos em vários rituais nos quais se alteraram o sigilo para permitir a Fotamecus criar cópias de si mesmo. Essas cópias se ligariam em uma rede incrivelmente eficaz em prevenir efeitos colaterais indesejados. Se um dos servidores da rede fosse chamado para comprimir o tempo e outro para expandir, o primeiro poderia passar a responsabilidade de expansão ao outro, mantendo o balanço e reduzindo a possibilidade de erros.
Nosso único problema era que não poderíamos limitar o quão grande a rede poderia ser. Não fizemos nada contra isso – nada para mantê-la sob nosso controle. E o único problema em reproduzir vírus é que, cedo ou tarde, eles sofrem mutação.
Nessa época surgiram notícias de que Fotamecus estava se espalhando pela Internet, e de que seu sigilo havia sido impresso por muitos para uso pessoal. Centenas de cópias foram geradas e o poder da Rede Fotamecus de Servidores Virais continuou a crescer.
Enquanto a rede crescia, crescia o pidiossincrasiaoder de Fotamecus. A coisa toda começou a agir cada vez menos como uma legião de servidores independentes e mais e mais como uma entidade individual. Ele começou a demonstrar grandes sinais de inteligência – tinha longas conversas interessantes, aparecia, quando necessário, sem ser chamado, e aplicou uma maior precisão no uso da manipulação do tempo para conseguir o máximo de milhas com o mínimo de esforço. Tornou-se óbvio pra mim e para o Profeta Louco que ele estava saindo de nosso controle e estava prestes a se tornar algo mais. A mutação tinha começado, e havia muito pouco que pudéssemos fazer para detê-la.
Somente um ano depois da criação inicial, deixou de ser uma rede de peças para se tornar mais do que a soma das partes. Suas peças ainda se identificavam, mas se tornavam cada vez mais distintas. A própria rede viral agora era mais forte do que servidores individuais, e se parecia mais com um espírito no controle de seus poderes a cada dia que passava.
A mutação completa se deu durante a hora em que a meia-noite se transformava em meia-noite oficial, pois o horário de verão do pacífico estava virando o horário oficial do pacífico, em outubro de 1997. Usando dessa expansão mundana do tempo em uma hora, um tempo que não tecnicamente existe, realizamos um ritual em nome de Fotamecus para lhe dar energia para qualquer a utilização que ele quisesse. Sete pessoas e um relógio destruído foram as únicas testemunhas do ritual.
Durante três dias ele simplesmente sumiu. Pedidos de ajuda ficaram sem resposta, conversas se transformaram em monólogos sem resultado. A adivinhação confirmou que, sim, ele ainda estava vivo, mas, não, não poderia responder nada. Por isso esperei, e três dias depois ele voltou da morte mais mudado do que jamais havíamos esperado.
Muitos magos do caos falam que espíritos se fazem pelo acúmulo de energia a partir de um servidor fraco e desinteligente, depois egrégoras de moderado poder, até chegar à forma de um deus capaz de controlar culturas inteiras. Em uma teoria popular, todos os deuses, um dia, estiveram no começo da linha, e, através do uso constante que era feito deles, acabaram por acumular poder, ascendendo de servidores a egrégoras até o estado pleno de deuses. Quando perguntados sobre quanto tempo isso leva, muitos caoístas encolhiam os ombros e diziam que cada etapa deveria levar décadas ou mesmo séculos. Eu diria que isso subestima grosseiramente o potencial de crescimento, já que eu vi que Fotamecus não é mais um servidor fraco, mas uma egrégora poderosa o suficiente para nós e para fazer suas próprias reivindicações.
Eu ainda não sei o que lhe permitiu atravessar a fronteira. Desconfio que, quando você dá a um servidor energia suficiente e de várias pessoas, ele se torna uma egrégora, tanto quanto um sigilo pode tornar-se um servidor depois de ter recebido uma forte gnose. Mas nenhuma das egrégoras com as quais eu trabalhei no passado eram tão fortes quanto Fotamecus, embora isso não deva causar surpresas. Nessa altura havia centenas de pessoas usando-o diariamente em todo o mundo, cada um deles a alimentá-lo com um pouco mais de poder a cada utilização. Juntamente com o ritual realizado na troca do horário de verão, isso foi o suficiente para fazê-lo passar da fronteira. Ele reintegrou as peças individuais tornando-as seus membros, enquanto a rede se tornou sua mente. Ainda assim, não era uma egrégora muito forte ainda, mas tinha seus próprios planos, nesse momento, e teria sido difícil para qualquer indivíduo controlá-lo.
Para nossa sorte, foi amigável e não estava prestes a se vingar por qualquer percepção de absuso sofrido quando era um servidor. Em vez disso apareceu a nós, deixou-nos a par de sua condição de egrégora e do que estava acontecendo, e, em seguida, desapareceu para um segundo plano, onde estaria a manipular os eventos. Um pedido poderia ser feito para ele exatamente como antes mas sua habilidade de manipulação do tempo havia chegado à maestria. Muitas vezes apareceu sem ser requisitado, ajudando antes que pudéssemos pensar em pedir; certamente que não era o trabalho de um servidor franzino!
Não o vejo muito, mas ele aparece quando preciso dele. Ele sabe melhor quando preciso do que eu mesmo; e, às vezes, acabamos por cair num bate-papo. Às 2 da manhã, sentando no Denny’s, apenas algumas semanas depois dele haver se transformado numa egrégora, tive uma conversa particularmente reveladora com ele. Parecia não muito satisfeito com sua transformação – a única coisa que tinha na cabeça era transformar-se em um deus, e a única coisa em seu caminho era Chronos.
Chronos, deus fixo do tempo – seus talismãs são os relógios que controlam nossa existência diária, os seus relógios que são os guardas prisionais aos quais nos tornamos escravos. E nunca questionamos sua autoridade. Mas o que poderia um servidor principiante megalomaníaco esperar nos oferecer?
No meu caso, o trabalho em tempo integral tornou-se muito mais agradável quando comecei a comprimir a jornada com sua ajuda. Uma jornada de oito horas, sinto como quatro ou cinco, e esta compressão tem como resposta uma expansão do meu tempo livre. Um descanso de duas horas em casa, muitas vezes senti como três ou quatro. Se eu preciso dormir mais, peço-lhe para expandir a noite e posso acordar dali a cinco horas e sentir como se tivesse
tirado o atraso. É demais para as irritantes dúvidas em minha cabeça sobre se o tempo é fixo ou mutável. Assim Fotamecus traça sua batalha contra Chronos; podemos ser escravos de nossos relógios, mas não há nada que impeça de mudar o fluxo das horas dentro desses relógios.
A palavra se espalhou. Mais e mais pessoas estão usando Fotamecus a cada dia, e com cada novo usuário ele cresce em seu poder. Atualmente ele está conspirando contra Chronos, no que parece ser um ódio apaixonado e centrado num objetivo desconhecido. Está sempre a murmurar algo sobre o milênio, e disse-me em mais de uma ocasião para ficar atento ao London’s Millenium Dome, que irá reunir mais de cem mil pessoas em 31 de dezembro de 1999. Tais comentários são acompanhados do equivalente astral de um sorriso pernicioso.
Hoje eu tenho um relacionamento melhor com ele do que com a maioria dos deuses com quem eu trabalho. E ele parece gostar de mim. Às vezes aparece para me dizer o que fazer para ele, para apresentá-lo a outras pessoas, ou lhe dar munição para a sua guerra contra Chronos. Em troca de um pouco de publicidade aqui e ali, me ajuda a esticar as horas para tirar o máximo proveito delas. Chega até a me dar dicas e a me incitar a escrever ensaios sobre ele, para que outros possam usá-lo. Ao usar o seu nome como um mantra ou criando um ritual usando seu sigilo para chamá-lo, ele cresce e torna-se mais forte, dia a dia, bem como ele ajuda seus usuários em troca de um pouco de energia. Eu poderia contar toda essa história para demonstrar como um servidor criado por mim e Quinn acidentalmente e eventualmente ascendeu ao nível de egrégora, mas hoje eu sinto de forma crescente como se eu fosse um servidor para Fotamecus, e ele me alimenta com docinhos por ser um mago bonzinho. Um relacionamento ímpar, na melhor das hipóteses.
Fotamecus saiu do meu controle há muito tempo. Estou um pouco preocupado com sua guerra com Chronos – não tenho absolutamente nenhuma idéia sobre o que ele tem em mente, e certamente que não irá me dizer. Mas, para ser bem honesto, mesmo estando um pouco preocupado, vou desfrutar do show. E com o milênio acabando, parece que vai ficar cada vez melhor. Isso é a Imanentização do Eschaton.
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15 Setembro, 2009 at 8:28 pm
Achei que foi um milagre ,pois estava necessitando aproveitar o tempo mais ,tive um fato que pareceu-me a sincronicidade de yung feita pelo fotamecus.DEsde de já agradeço