ao som de músicas sortidas dos Mutantes

Pessoa hipotética um (vulgo fulano) diz:
Fla
Pessoa hipotética dois (vulgo ciclano) diz:
Oi, cmo vai?
Pessoa hipotétia um (vulgo fulano) diz:
Bem, e vc?
Pessoa hipotética dois (vulgo ciclano) diz:
Tbm. Novidades?
Pessoa hipotétia um (vulgo fulano) diz:
N, e vc?
Pessoa hipotética dois (vulgo ciclano) diz:
N tbm.

Já cansei de ter inícios de conversas como a do fulano e ciclano no IM, isso quando a conversa não acaba por aí mesmo. Sério; vocês devem passar por isso, então sabem que é realmente irritante essa falta de assunto (e, porra!, essa fala de assunto é um enorme paradoxo: não vivemos na era da informação? Não temos milhares de acontecimentos e idéias viajando nas ondas magnéticas, de rádio, etc., que atravessam nosso corpo a todo o momento?!).

O problema maior, em verdade, não é que os outros não têm novidades: é que nós mesmos nunca temos (ou, quando temos, segundo eu andei notando, é sempre algo que você “comprou”, ou “ganhou”, ou “conquistou”). Isso mostra o quão VAZIA é a nossa vida. E isto é culpa nossa, ainda que não exclusivamente.

O que eu fiz com uma ou duas pessoas amigas minhas foi sugerir que tivessem novidades toda a semana. Se levassem a sério isso, creio que duas idéias seriam possíveis: a primeira é olhar para o cotidiano com olhos mais incisivos e observadores, de modo a entender certas coisas como novidades, porém eu desgosto dessa idéia; gosto é da segunda, que é agir para ter, sempre, uma novidade.

Deixo aqui, portanto, uma idéia: como seria viver em função de ter sempre coisas novas acontecendo? Eu estou tentando aplicar isso, e vem surtindo efeitos, ainda que tímidos.

Foto por fazen

É tudo a mesma coisa

21 Maio, 2008

ao som do IV movimento da Nona Sinfonia de Ludwig van Beethoven

Hoje eu vi um cara da minha sala grudando um papel no mural (ao lado do símbolo da Igreja de Satã que eu confeccionei) da sala de aula com o escrito:

COMITIVA
Vira-Lata

Entre as palavras “vira” e “lata” uma lata e flechinhas indicando movimento. A lata deve ser de cerveja.

Quando eu perguntei pra ele se essa comitiva era um bando que se reúne pra ir em algum daqueles shows ruins que ele vai, ele respondeu afirmativamente e perguntou se os meus bandos pra ir em shows se chamavam gangues (talvez o motivo disso seja que eu use uma camiseta do Ozzy algumas vezes na escola). E acrescentou dizendo que eu gostava de ópera (não curto ópera!). Respondi “Ópera? Não curto, mas qual o motivo de dizer isso?”. “Ah, aquela música que estava escutando outro dia”, ele disse. “Aquilo era uma sinfonia. A “Choral”, do Beethoven”.

Foi quando ele me disse “Então!, é ópera.”.

Claro que é.

Está ficando recorrente eu falar sobre pessoas aqui, mas essa eu não poderia deixar passar; mais uma prova de que, no fim, é tudo a mesma coisa.

Palavrinha de hoje: beócio pode significar uma pessoa ignorante num nível inimaginável.

ao som das Estaciones Porteñas de Astor Piazzolla

Esse feriado, em especial o final de semana, foram conturbados. Parte das coisas que eu planejei e pelas quais lutei caíram por terra; coisas pessoais, nada comum ou ideológico. Enfim, grande parte das concepções que eu tinha sobre mim mesmo se desfizeram, como estava comentando com outro blogueiro há algum tempo. Ele disse: “todo mundo acha que é diferente”. Eu realmente achava que era.

Mesmo aqueles que eu odeio devem pensar, talvez secretamente, que são diferentes, e isso em muitos níveis: em seus relacionamentos, no modo de enxergar o mundo, o modo de agir, et cetera. Eu penso assim, ou pelo menos pensava; e ainda tento ser diferente, algo que, por algum motivo, é bastante atraente.

Ora, todos buscamos pessoas diferentes. Me parece que isso é uma falácia, ou pelo menos concordo com o Ibrahim. E é realmente difícil, ou pelo menos parece ser, romper com o narcisismo que é buscar alguém diferente, diverso. Talvez reconhecer isso não seja a melhor saída. Reconhecer essa coisa, pelo menos pra mim, remete a se condicionar a algo que não gosto. “Procurar mudar?”. Putz, aí mais um erro: se NÃO somos diferentes, não vamos chegar a esse nível. Pois, se ele existisse, alguém já estaria lá.

Quer dizer que não somos diferentes nem vamos mudar, e todo esse papo de “eu sou diferente” e “eu achava que você era diferente” é inconsistente? Tudo me leva a crer que sim. Esperanças? Eu tenho muitas. Não de que a gente possa mudar, nem na da multiplicidade das pessoas, mas de que a gente pode se divertir se a gente acreditar que isso não faz muita diferença. Vamos nos entregar uns aos outros, é isso aí. E nem venham com o papo de que isso já é ser diferente.

Estou confuso.