Fotamecus: Parte 2

31 Dezembro, 2008

Continuando a série de traduções sobre Fotamecus:

Ritual de Empowerment de Fotamecus
por Fenwick Rysen
25 de Outubro de 1997

Introdução

Fotamecus é uma adição historicamente recente ao panteão de deidades associadas ao tempo, cuja figura mais notável é Chronos. Mas, enquanto Chronos é associado ao conceito de tempo fixo e imutável, Fotamecus se baseia no conceito de que o tempo é fluído e maleável. Por causa das restrições de liberdade do conceito de tempo fixo de Chronos, Fotamecus decidiu declarar guerra contra ele; o ritual a seguir tem como objetivo ajudá-lo em sua guerra, e conceder favores à quem ajudá-lo. Como as sociedades modernas são dependentes do relógio e da moeda (tempo é dinheiro), auxiliar Fotamecus em destruir os conceitos atuais de tempo pode ser considerado mais um passo na Imanentização do Eschaton.

Material Requerido

  • Um tambor;
  • Um pequeno relógio digital (um relógio de painel de carro ou um pequeno relógio infantil é barato e efetivo);
  • Um pouco de “peido-de-velha” \ – aquelas bombinhas que explodem quando você joga no chão (ou qualquer coisa que exploda quando se bate nela). NÃO use explosivos maiores – a idéia é criar um pequeno “BANG”, não arrancar sua mão!
  • Uma pedra grande e pesada o bastante para destruir o pequeno relógio digital e explodir as “biribinhas”;
  • Três pessoas: o Baterista, o Chronomancer e o Guerreiro;
  • Observadores (opcional), ou seja, quem mais que queira assistir ao ritual.

O Ritual

-16. Os participantes entram num local escuro o suficiente para o gosto deles. Ninguém deve estar usando relógios, e o local deve estar vazio. O Baterista deve estar carregando o tambor, o Chronomancer, o relógio digital, e o Guerreiro deve carregar as bombinhas e a pedra.

-15. O Baterista, o Chronomancer e o Guerreiro devem formar um triângulo e posicionar seus pés firmemente, na largura dos ombros. Os observadores devem formar um círculo para assistir ao ritual.

-14. O Chronomancer olha para o Baterista com uma face interrogadora, mentalmente perguntando se o Baterista está pronto para realizar o ritual. O Baterista reage positivamente, colocando o tambor em posição.

-13. O Chronomancer olha para o Guerreiro com a mesma expressão, e o segundo deve assentir e mostrar as biribinhas e a pedra.

-12. Com todos de acordo com o ritual, o Chronomancer deve apresentar o relógio ao Baterista, que deve examinar (com a vista) e se monstrar convencido de que é um bom sacrifício para o ritual. O mesmo deve ser feito com o Guerreiro.

-11. O Chronomancer levanta o relógio para o céu, apresentando-o para Fotamecus. Todos os participantes devem olhar para cima e pedir, em pensamento, para que Fotamecus venha e veja o ritual que está sendo feito para auxiliá-lo em sua guerra contra Chronos. Os observadores devem manter o sigilo de Fotamecus em mente, e deixá-lo lá durante todo o ritual.

-10. Quer Fotamecus se apresente ou não, o Chronomancer deve esconder o relógio com as duas mãos em forma de concha, e o Baterista começa a bater lenta e continuamente no tambor (algo entre 60 e 80 batidas por minuto). Aqui está simbolizado o retorno aos ritmos naturais – a batida do tambor revela o que o relógio esconde. Todos os participantes devem contemplar isso durante algum tempo.

-9. Com o relógio ainda escondido, o Chronomancer deve abaixar a cabeça e fechar os olhos. Em seguida, deve concentrar-se em suas concepções de tempo. As batidas do tambor, ele nota, são as mesmas do seu coração, as mesmas da passagem dos dias, as mesmas da passagem das estações do ano… Uma batida mensuravelmente constante, ainda que possa mudar a qualquer momento. Essas observações se opõe à máquina aprisionada em suas mãos, que é fria, que mede o tempo como se fosse uma mercadoria com um valor fixo, determinado pelos “reais por hora”, e esta é a mentalidade das pessoas encurraladas nesta concepção de tempo. O Chronomancer deve superar com repugnância esta idéia de tempo, esta linear, imutável e entorpecente procissão de números que só tem algum significado, pois todos concordam com a mesma alucinação de que o Tempo é um fenômeno fixo. Como isto é possível? A batida do tambor pode alterar sua velocidade, e sua única medida é a batida-silêncio, batida-silêncio… Não há números para o batimento de seu coração ou a passagem dos dias ou a roda dos anos – isto tudo é infinito, e sempre diferente, e o espaço entre eles é uma questão de percepção.

-8. Todos os participantes são encorajados a pensar as mesmas coisas, focando sua repugnância no conceito de tempo fixo e, depois, no relógio nas mãos do Chronomancer. O Guerreiro, em adição a isto, também sente que sua repugnância cresce e se torna um desejo de destruir o tempo fixo. No entanto, como um Guerreiro perfeito, ele percebe que deve esperar – o tempo, percebe, não é certo… Não sabe quanto tempo deve esperar; não pode ser medido em segundos, minutos ou horas, apenas em paciência. E, uma vez que destruir este relógio, haverão muitos outros – os eventos não estão vinculados ao tempo, o tempo está vinculado aos eventos completos ou incompletos. O Guerreiro irá esperar pelo momento certo para destruir o relógio, sabendo que, após este ato, haverão outros relógios para serem destruídos. Esta tarefa do Guerreiro nunca estará completa.

-7. O Baterista, após que a quantidade adequada de tempo tenha passado (isso fica ao gosto dele), lentamente começa a aumentar o ritmo do tambor. Isso ajuda a ressaltar que o tempo é mutável, bem como incentiva os outros a agir – o tempo nunca se esgota, mas ele passa.

-6. O Chronomancer, preenchido com o desagrado pelo objeto que tem em mãos e ouvindo o aumento da freqüência das batidas, percebe que algo deve ser feito. Ele poderia lançar o relógio longe, mas isso iria ser uma solução paliativa. Poderia destruir o relógio, mas não possui armas nem sabe como manejá-las. Ao invés disso, olha à sua volta, até que seus olhos encontrem o do Guerreiro, quando ambos percebem que chegou o momento – o Chronomancer precisa de um meio para destruir, e o Guerreiro o tem e está pronto.

-5. O Chronomancer revela o relógio ao Guerreiro, e o Baterista aumenta o ritmo rapidamente (para 140-210 batidas por minutos, dependendo do gosto / preferência / situação), o que reflete seu estado interior. O coração do Baterista luta contra a batida certa do relógio – há muito a batida do tambor foi abandonada pela do relógio. As pessoas abandoram o caminho de Fotamecus e aceitaram as desilusões que Chronos as ofereceu. Enquanto o relógio existir, o tambor não está seguro. Ainda assim, o Baterista segura e bate no tambor, pois a concepção de Fotamecus é mais necessária do que nunca.

-4. Há um pedido no olhar do Chronomancer, e o Guerreiro o compreende; apresenta, então, sua pedra, e o primeiro sorri, colocando o relógio ao alcance da arma do Guerreiro. Volta, então, a uma postura firme, orgulhosa, sabendo que fez a coisa certa.

-3. O Guerreiro não sorri – festejar agora seria prematuro. Sua paciência foi premiada, e ele agora tem a possibilidade de ação, mas ela ainda não foi tomada. Vai se preparando para a ação enquanto analisa cuidadosamente seu inimigo. Busca conhecê-lo melhor do que ele mesmo, levando em conta cada detalhe. Começa, então, a ver suas debilidades – esta máquina exige tal precisão que o menor impacto irá destruí-lo. Seu domínio sobre a realidade é tênue, na melhor das hipóteses. Apesar do relógio parecer fraco, o Guerreiro percebe que o que deve ser destruído é a cultura que há em torno dele. Tornar este ato de destruição como um exemplo para que outros o repitam. E deixar que o poder liberado nessa destruição alimente Fotamecus em sua luta contra Chronos. Mostrar ao mundo que Fotamecus possui aliados entre os vivos, entre aqueles que recusam a tornar-se enredados na cilada de Chronos.

-2. O Guerreiro cai de joelhos, e prepara sua vítima. Todos os participantes percebem a destruição eminente, então fecham os olhos e visualizam o sigilo de Fotamecus e pensam em todos os seus intentos – pensam em quanto este sacrifício poderá capacitá-lo.

-1. O Guerreiro espalha os explosivos pelo chão e sobre o relógio. Segura a rocha firmemente em suas duas mãos, e, com o sigilo de Fotamecus em mente, levanta a pedra para cima e…

0. -DESTRÓI O RELÓGIO-

1. Há um forte estrondo e flashes provenientes dos explosivos. Nesse momento, o Baterista retorna ao primeiro ritmo (60 a 80 BPM).

2. O Guerreiro recolhe os destroços (que puder) do relógio e o mostra ao Chronomancer, que deve pegá-los e examiná-los, por um breve momento, para garantir que a morte é completa, então apresentando-os ao Baterista. Esperando o momento certo, o Baterista pára de bater em seu tambor, e aceita a destruição do relógio do Chronomancer como um símbolo de triunfo. O silêncio permeia o quarto.

3. Todos os participantes deixam o recinto silenciosamente, começando pelos observadores (a multidão deve se dispersar), seguidos pelo Guerreiro (que reconhece que sua tarefa está completa), seguido pelo Chronomancer (que percebe que não há mais nada a ser feito). O Baterista olha para o relógio quebrado em suas mãos, sorri, e então segue um pouco atrás dos outros, triunfante.

Notas

  1. Embora o ritual tenha sido concebido para um grupo, qualquer um é bem-vindo para adaptá-lo para o uso individual. O que compõe o ritual é, primariamente, a emoção e a simbologia; detalhes são desimportantes. Altere-os para adequá-los às suas circunstâncias;
  2. Nós realizamos este ritual durante a mudança de horário de verão para horário oficial, naquela “hora que não existe”, entre a meia-noite e a meia-noite. Tente realizar o ritual em algum momento significativo do ciclo do tempo, seja uma mudança de clima, de horário, um pôr-do-sol, amanhecer, meio-dia, meia-noite, solstício, equinócio, ou qualquer coisa parecida;
  3. O ritual foi concebido sem palavras; não existe nenhuma. Se precisar delas, coloque-as. Porém, fomos muito felizes ao realizar o ritual em total silêncio, com um alto “BANG” no fim;
  4. Não se preocupe em pensar as mesmas coisas que foram descritas acima; as palavras foram escritas para descrever quais emoções você deve estar sentindo em cada parte do ritual. Não precisa manter um diáologo interno, não deve ir “recitando as linhas” do ritual. Deixe as emoções levarem você através do ritual; pensamentos espontâneos podem surgir dessas emoções, dando sentidos sobre as ações tomadas. É a força da emotividade elevada ao máximo por cada um que dá poder ao ritual;
  5. As bombinhas podem ser ainda mais efetivas se os observadores não sabem que elas serão usadas – eles irão saltar de surpresa / espanto / terror quando virem o relógio “explodir” – gnose só é alcançada quanto todos mijam nas calças. O Guerreiro pode deixar as biribinhas escondidas até o momento quando se ajoelha para preparar o relógio para o sacrifício;
  6. Qualquer participante (ou qualquer pessoa que estiver presente) pode pedir ajuda para Fotamecus depois do ritual. Ele parece favorecer especialmente as pessoas que se engajaram em sua guerra. Pode comprimir e expandir o tempo, acelerando uma viagem ou alongando aqueles momentos pacíficos que pretendemos desfrutar. O tempo é maleável, ou qual outro motivo para este ritual?
  7. Ao final do ritual, é realmente difícil de começar a falar novamente – existe um sentimento palpável que toma conta de todos. A forma tradicional de resolver isto seria um banimento, mas nós preferimos fazer com que o Baterista saia por último e comece a bater o tambor e a gritar a plenos pulmões, quebrando o feitiço que se apoderou de todos. Então, banam com comida, bebida e diversão!

Epílogo

Este ritual foi registrado em papel (eletrônico, na verdade) durante a parada para o lanche de uma jornada de trabalho das nove da manhã às cinco da tarde. Apenas mais uma greve contra Chronos na guerra pelo tempo. Louvado Seja Fotamecus! Destruam Seus Relógios! Chronos, sua hora chegou!

Leia todos!

  1. Fotamecus: Servidor Viral de Compressão/Expansão do Tempo
  2. Ritual de Empowerment de Fotamecus
  3. Não Me Culpe, Culpe Meu Servidor
  4. Consumação do Tempo ou Outro Ritual para Fotamecus
  5. Fotamecus Completo (PDF)