Cinco

5 junho, 2008

ao som da música Os Números, do Raulzito, repetidas vezes

O Rev. Ibrahim Cesar criou um tipo de promoção neste link, e eu resolvi participar. Vamos ver o que ele escreveu:

Resolvi fazer um grupo de escrita que está aberto a qualquer um interessado em participar.

Objetivo

Escrever uma postagem que envolva cinco itens em qualquer contexto, objetivo. Em forma de lista ou não. Você pode falar sobre os cinco elementos ou sobre seus cinco órgãos humanos prediletos. Você pode ir criando desde já e linkar para esta página. Dia 23 de Junho eu encerro as participações e sorteio o prêmio.

Vocês querem uma lista? Ora, terão uma lista!

Minha lista é uma lista baseada nos números – quero dizer, uma lista SOBRE os números. Vamos ver o que vira…

“Meus amigos essa noite eu tive uma alucinação
Sonhei com um bando de número invadindo o meu sertão
E de tanta coincidência que eu fiz essa canção.”
(Raul Seixas – Os números)

Um

“-Falar do número um
Falar do número um não é preciso muito estudo,
Só se casa uma vez e foi um Deus que criou tudo,
Uma vida só se vive, só se usa um sobretudo.”
(Raul Seixas – Os números)

Um é a unidade. O uno. O ímpar. O sui generis. Nós geralmente pensamos que somos únicos, especiais, diferentes. “Um” também é um artigo indefinido em português; ainda no campo língua, “um” pode ser uma anomatopéia de um gemido de prazer. E qual o som de batidas de palma de uma mão só?

Dois

Dois é o primeiro número primo. Dois é dualidade – carro chefe de muitas religiões, desde os tempos do maniqueísmo do profeta persa Mani. De dois elementos se formam os casais; dois é, num certo sentido, o oposto à solidão. Folie à deux. Para os chineses, “boas coisas vêm em pares”. Dois dá a sensação de equilíbrio, de simetria. Dois são os gêmeos, e duplo deve ser o desgosto de tê-los.

O ser humano se divide, ainda seguindo os passos no mínimo equívocos de Hegel, entre duas coisas, entre dois caminhos, entre duas dúvidas, entre duas escolhas: viver ou morrer? Fazer o que gostamos ou então ganhar dinheiro? Esquerda ou direita? Ser “livre” ou se casar? Fazer o que os outros esperam de nós ou o que queremos? “Bem e mal, amor e guerra, preto e branco, bicho e gente / Rico e pobre, claro e escuro, noite e dia, corpo e mente.”

Três

Três: aí entra alguém no meio. Ménage à trois. Uma trinca, no poker, é uma boa mão. Os três mosqueteiros, os três poderes, os três tipos de galáxias (espirais, elípticas e irregulares), as três estrelas que formam o cinto de Órion na constelação homônima, as três leis que os robôs de Issac Asimov.

Na psicologia, segundo Freud, nossa mente é composta pelo id, o ego e o superego, sendo o ego a “síntese” da relação antitética entre id e superego (instintos e valores, convenções sociais, numa resumida porca). A trindade Brahma, Vishnu e Shiva. A alma tríplice de Platão. No Vietnã, tirar uma foto de três pessoas dá má sorte. Três é o número das trilogias – filmes, livros, literatura de banheiro, etc., várias coisas acontecem em três.

Três eram os “valores” da burguesia de 1789: liberdade, igualdade e fraternidade. Também são três as cores básicas. Existe até um site sobre o número: The Book of Threes. Três é o número de discos do álbum All Things Must Pass, do George Harrison.

Quatro

“-Agora o quatro
E o quatro é importante, quatro ponto cardeal,
Quatro estação do ano, quatro pé tem um animal,
Quatro perna tem a mesa, quatro dia o carnaval.”
(Raul Seixas)

“Dado um mapa plano, dividido em regiões, quatro cores chegam para o colorir, de forma a que regiões vizinhas não partilhem a mesma cor.”
(Teorema das quatro cores)

Na China, onde todo mundo é estranho (eles pensam isso da gente também), algumas pessoas sofrem da tetrafobia – medo do quatro. Alguns prédios não possuem o quarto andar, por exemplo. Para Aristóteles, o velho grego, são quatro as causas implicadas na existência de algo: a causa material (do que algo é feito; cobre, por exemplo); a causa formal (a coisa; uma peça de cobre, por exemplo); a causa motora (o que dá origem ao processo no qual a coisa surge; uma máquina, por exemplo); a causa final (aquilo para o qual a coisa é feita; um elemento de cobre de uma máquina, por exemplo).

Quatro são as dimensões. As forças do Universo (gravidade, eletromagnetismo, força fraca e força forte). Adenina, citosina, guanina e timina. A, B, O, AB. Quatro planetas “de pedra”, ou “terrestres” no sistema solar: Mercúrio, Vênus, Terra e Marte. E quatro gigantes: Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. O Tetragrammaton. “De quatro” e “entre quatro paredes”. O trevo-de-quatro-folhas.

Cinco

O pentagrama, o pentágono, as cinco pedrinhas da página 00054. Rosas costumam ter cinco pétalas. A menor nota emitida de Euro. Os cinco sentido, a quintessência, o quinto elemento. Em numerais romanos, V, o “V da vitória”, o cumprimento de “paz-e-amor” hippie, coisa roubada dos discodianos.

Por falar em discordianismo, cinco é o número de caracteres no sistema oficial de numeração; cinco são as leis do Pentarroto, cinco é o número sagrado e o dia dos feriados dos Apóstolos Discordianos; cinco é o número de dias na semana segundo o calendário discordiano.

Cinco é o número de dias que temos que esperar pelos finais de semana se seguirmos o falso calendário. Em algumas culturas, são cinco os pontos cardeais, pois eles incluem o centro. Nas culturas orientais, cinco é o número de elementos: água, fogo, terra, madeira e metal; cada um desses elementos é associado a um dos cinco planetas visíveis a olho nu.

E, para finalizar, a maior verdade dita até agora:

A Lei dos Cinco
A Lei dos Cinco diz simplesmente que: TODAS AS COISAS ACONTECEM EM CINCO, OU SÃO DIVISIVEIS OU MULTIPLICAVEIS POR CINCO, OU ESTÃO DE CERTA FORMA DIRETA OU INDIRETAMENTE LIGADAS AO 5.
A Lei dos Cinco nunca está errada.
Ps.: é muita injustiça não agradecer os artigos “um”, “dois”, “três”, “quatro” e “cinco” das Wikipédias lusófonas e inglesas. Portanto, obrigado. =)
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6 Responses to “Cinco”

  1. Kathy Says:

    Bem criativa a postagem… hehehehehe
    Gostei. Números sempre são interessantes – porque números não são apenas números. Ou são?

  2. Santaum Says:

    E que verdade, hã?

    E você tem razão….. (5 pontos) O que seria da gente sem a wikipédia.

    Grande abraço.

  3. Rev. Beraldo Says:

    Wikipédia é, realmente, uma dessas coisas que eu admiro na internet.

  4. Cutucadelas Says:

    Caríssimo Reverendo Beraldo,

    já disse isso em resposta ao vosso comentário em meu blog, mas enfatizo aqui: parabéns pelo post. Um dos meus preferidos da “promoção”.

    Ah! Pequeno detalhe: meu comentário (no momento em que escrevo pelo menos) aqui é, adivinhe: o QUINTO. (rs)

    Coincidência, não?! hehehehehehe

  5. Rev. Beraldo Says:

    Eu não queria responder pra manter cinco comentários – tenho quase certeza que não sai disso – mas obrigado Cutucadelas! hehhehehehehhee


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