ao som da Sinfonia número cinco em C menor, primeiro movimento “Allegro con brio”, de Beethoven

É com grande felicidade que posto um dos mais importantes comunicados desta Cabala. Só hoje, dia 5 da Discórdia de 3174 YOLD é que venho lhes comunicar que o primeiro Principia Discordia artesanal desta Cabala, apesar de eu possuir este desde o dia 65 da estação que passou.

Como um bom discordiano, estou disponibilizando para vocês os fotolitos que usei para imprimir o livro, bem como algumas fotos inéditas da criança. Que fique claro que qualquer um que se dispuser a imprimir e encadernar o Grande Livro da Iluminação Eresiana está sujeito ao contado direto com muitos fnords, o que torna o processo extremamente perigoso se não for feito com cautela.

Agora, as fotos.

Principia 1 Principia 2 Principia 3

Principia 5 Principia 4

E o arquivo para você baixar e imprimir seu próprio livro: link

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ao som do ruído dos pensamentos da minha mente

Faz uns dez minutos que eu criei o maior e o menor poema do mundo, ou talvez eu o tenha recebido de Éris por intermédio da minha glândula pineal. E eu queria compartilhar ele com os leitores do blog. O poema ainda não tem título, e se vocês tiverem alguma sugestão ficarei feliz em me apropriar dela. Antes de apresentar meu poema, queria registrar que qualquer hora dessas escrevo uma postagem um pouco maior que as de ultimamente, ok?

Bom, eis o poema:

uni(co)verso

Simples e maravilhoso. Eu acho. Ia oferecer ele em memória de Arthur Rimbaud, mas não vou ser tão pretensioso ao invocar o poeta. Mesmo assim, fiquem com uma foto do garoto como tributo.

Arthur Rimbaud

Geladeiras

4 janeiro, 2008

ao som do álbum Nervermind, do Nirvana

Há coisas que os seres humanos têm em comum que destroem qualquer classificação, qualquer rótulo que possamos ter. Sentimentos são assim; você os tem independentemente da classe, do estereótipo, do grupo, da música que ouve etc.. Outra delas é o hábito de abrir a geladeira e ficar contemplando o interior do eletrodoméstico, deixando seus pensamentos se desenvolver desde as garrafas da porta até o bacon no congelador.

O quão fantástico isso é? O suficiente para fazer pensar… Outro dia eu cheguei em casa e ela estava vazia – a família tinha saído – e então abri a geladeira. Fiquei uns dois minutos pondo as idéias em ordem (dia agitado, compreendem?). Alguns podem dizer: “ah, mas você tinha fome”. Eu estava procurando algo para beber, sim. Porém, não havia nada, e isso é uma constatação rápida, de modo que deveria ter fechado a porta do equipamento rapidamente; além disso, quantas vezes vocês já não fizeram isso? Qual é o motivo que nos leva a buscar a geladeira para pensar?

Algumas vezes, isso se repete à noite, em especial aquelas que antecedem algo, ou então quando a insônia nos faz uma visita. No blog do Manual Prático da Delinqüência Juvenil tem um poema sobre tudo isso:

A geladeira

Domingo ela abriu a geladeira 119 vezes…

mas, não saiu ninguém.

Um blogueiro certa vez disse que os travesseiros são catalisadores de idéias. O que são, então, as geladeiras? Divãs frios? Um tipo de confessionário nada cristianizado, psicólogos com prateleiras; as geladeiras têm a difícil tarefa de compartilhar de nossos sentimentos. Fato é que comer alivia um pouco os problemas. Mas, isso acaba com todo o mistério. Vamos até a máquina buscando reconforto alimentar; enquanto nos decidimos sobre o que comer, pensamos, e acabamos divagando e encarando o interior frio por sabe-se lá quanto tempo. O mais intrigante, porém, não foi dito ainda.

Quando estamos realmente encanados, recorremos à geladeira diversas vezes. Ainda que saibamos que não há nada lá, mas ainda assim abrimos a porta, olhamos, pensamos, e a fechamos aturdidos. Tão absurdo quanto isso é que, quando estamos procurando por algo, acabamos por vezes abrindo a porta da geladeira e procurando ali. Esses instintos que possuímos são tão fortes que nos levam a recorrer à comida num número tão grande de ocorrências, quando nos preocupamos? Apenas os mais bem adaptados vencem. É, ponto para a biologia. Ou então, esse “recorrer à geladeira” pode dar uma pequena idéia de como nosso pensamento é caótico, desordenado. Se não o fosse, por que outro motivo esses problemas nos levam a uma condição tal que buscamos qualquer coisa do prazer de comer? Pensamento racional – isso é puro “ha-ha” daqueles que cultuam a intelectualidade, a “cultura”, os assuntos importantes. Viva a inconstância caótica!, e viva a geladeira (e me desculpe, camada de ozônio).

Feliz 3174 YOLD

1 janeiro, 2008

Feliz 3174 YOLD para todos vocês.

Muita pizza nesse ano. Muito caos. Que Éris ilumine o caminho que vocês desejarem seguir, seja ele qual for.

Espero que deixem um comentário.  (ha-ha!)

MU!

Sim, nós podemos! #1

4 dezembro, 2007

ao som do disco Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles

Nós podemos deter o controle da distribuição da informação, coisa hoje dominada por núcleos empresariais (Abril, quem sabe?) e moldada de acordo com a necessidade das classes dominantes. E de várias maneiras. Discutirei algumas delas no decorrer dessa série de posts, porém, antes, vou tentar esmiuçar alguns conceitos.

As antigas sociedades exerciam seu controle social de diversas maneiras: o Tribunal do Santo Ofício (ou Inquisição, para ficar sem eufemismos), é um exemplo síntese. Hoje, porém, o controle pode (e é) exercido de outras maneiras, mais sutil e simples: o controle das informações. Isso é possível, pois vivemos o sonho capitalista da democracia e não estamental, ou seja, as pessoas acreditam que podem possuir tudo o que quiserem trabalhando, sejam estes sonhos a aquisição de determinado produto ou a ascensão social. Assim, controlando a informação que chega até a pessoa, faz-se a manutenção dessa ilusão. É uma “prisão para a mente”, para dar um ar místico-Matrix à coisa.

Mackenzie Wark propõe uma nova luta de classes, entre duas que chama de vetoristas e hackers. Vetoristas (em biologia, o barbeiro é o vetor da doença de Chagas) controlam três aspectos da transmissão de informação, que são estoques de informação, fluxos de informação e vetores de informação. Eles significam “os arquivos, estoques da informação”, “a capacidade da transmissão da informação” e “os meios de transmissão”, respectivamente. Dessa forma, os vetoristas são aqueles que controlam a informação, a classe dominante. Já os hackers, a antítese dos mesmos. Assim, são aqueles que combatem o poder da classe dominante, por meio da liberação daqueles três aspectos anteriores.

Nos próximos dois posts dessa série, irei discutir os modos legais e ilegais de hackear o monopólio da informação.

A Cabala & Tristão Tzara

10 novembro, 2007

ao som de Choros No. 9 de Villa-Lobos

Tristan Tzara

Um dia, conta a História, o cara que viria a influenciar o corte de cabelo ridículo dos EMOs, estava num momento de ócio em sua casa, na bela Romênia, refletindo sobre as grandes questões do Universo: “Quem sou eu?”, “Para onde vou?” e “Aonde vamos almoçar?”. Ainda não havia, em sua época, o Principia Discordia, e nem outros livros de iluminação, muito menos a técnica do po do Papa Discordiano Robert Anton Wilson, porém, Tristão Tzara fez uso de sua glândula pineal, ainda que inconscientemente recebendo, assim, de Éris as instruções para a criação de um movimento nonsense, discordiano & inteligente; antecipando a técnica do po, correu até a sua Petit Larousse, abriu-a ao acaso* e fincou o estilete numa palavra, novamente ao acaso*.

O resultado, segundo a História, foi que, além de umas páginas cortadas, a palavra que foi fincada era dada. Essa palavra, em francês, significa “cavalo-de-pau”, porém sua utilização marca o nonsense do movimento.

Nisso se baseia o presente blog.

Cavalo-de-pau é uma manobra que exige habilidade do condutor, é impressionante, chocante; ao mesmo tempo, é um brinquedo infantil, o que revela (aparente) ingenuidade. E, num nível mais profundo, é nada, se pensando em significado claro, pois é dada, em francês.

A premissa básica do blog é exposta pela história narrada acima, na premissa eresiana, na falta de sentido, no discordianismo. Muitas das postagens serão, ao menos num primeiro momento de consolidação da Cabala, baseadas na técnica do po, inventada por Éris, descoberta por Tzara e redescoberta por Robert Anton Wilson, que lhe nomeou e publicou no livro “A Nova Inquisição”. Para aqueles que não a conhecem, procurem nesse blog: http://www.delinquente.blogger.com.br/

Quanto ao significado de “cabala”, o Principia tem a explicação: “Uma “Cabala […]” é exatamente aquilo que você pensa que ela é.” Para todo o resto, o Google explica.

Atentem aos próximos temas da Cabala ou morram tentando!

*Há dúvidas sobre o acaso aqui: se foi influenciado por Éris, é acaso? Pode ser, já que as influências eresianas são caóticas e caos, a priori, é acaso.

Errata: segundo o Rev. Wodouvhavox (http://pipa55.blogspot.com/), o criador da técnica do po é Edward de Bono. O RAW apenas a citou no referido livro. Desculpem! =/