Manifesto Nonadista

22 abril, 2008

ao som de Eine Kleine Nachtmusik, do Mozart (sim, aquele viadinho)

Manifesto Nonadista

ou

O Grande Manifesto Que Fala Sobre Nada, Ou Quase Isso.

Só o nonada nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente. Humoristicamente.

NONADA. O fim de toda a Filosofia. Fim do Pensamento: a bomba atômica explodindo na mente humana e fazendo escorrer miolos liquefeitos pelo nariz.

Conexões junguianas pós-apocalípticas de humor negro: sincronicidade. Nonada. Fatigamo-nos de tanta hipocrisia filosófica: admitam, há coisas além de vós.

Ora, não sentem e esperem por respostas! Corram atrás delas, mas não achem que elas virão. Pois elas virão, mas virão nonada.

Certa vez disseram ser contra todos os importadores de consciência enlatada. Somos contra os importadores, os exportadores, os usuários. E somos importadores, usuários, exportadores da nossa.

Contra a intelligentsia. Os velhacos acadêmicos pseudo-intelectuais leitores de parnasianos em banheiras ricamente trabalhadas – comunistas, anarco-capitalistas, capitalistas: o ismo final é o nonadismo.

Estamos aqui pelo fim da história conhecida: pelo começo da Era Discordiana, pela Iluminação Nonadista. E a iluminação advém do Venerar do Ser, do Ser Feliz em Meio a Bosta. A Bosta está Feita, só nos resta rir e arrumar, ao esperar pela Chuva Divina de Nova Versalhes.

Não apelamos – o nonada impõe. Querem determinismo? Eis que ele surge – só lhes resta determinar suas conseqüências.

N o n a d a

Geladeiras

4 janeiro, 2008

ao som do álbum Nervermind, do Nirvana

Há coisas que os seres humanos têm em comum que destroem qualquer classificação, qualquer rótulo que possamos ter. Sentimentos são assim; você os tem independentemente da classe, do estereótipo, do grupo, da música que ouve etc.. Outra delas é o hábito de abrir a geladeira e ficar contemplando o interior do eletrodoméstico, deixando seus pensamentos se desenvolver desde as garrafas da porta até o bacon no congelador.

O quão fantástico isso é? O suficiente para fazer pensar… Outro dia eu cheguei em casa e ela estava vazia – a família tinha saído – e então abri a geladeira. Fiquei uns dois minutos pondo as idéias em ordem (dia agitado, compreendem?). Alguns podem dizer: “ah, mas você tinha fome”. Eu estava procurando algo para beber, sim. Porém, não havia nada, e isso é uma constatação rápida, de modo que deveria ter fechado a porta do equipamento rapidamente; além disso, quantas vezes vocês já não fizeram isso? Qual é o motivo que nos leva a buscar a geladeira para pensar?

Algumas vezes, isso se repete à noite, em especial aquelas que antecedem algo, ou então quando a insônia nos faz uma visita. No blog do Manual Prático da Delinqüência Juvenil tem um poema sobre tudo isso:

A geladeira

Domingo ela abriu a geladeira 119 vezes…

mas, não saiu ninguém.

Um blogueiro certa vez disse que os travesseiros são catalisadores de idéias. O que são, então, as geladeiras? Divãs frios? Um tipo de confessionário nada cristianizado, psicólogos com prateleiras; as geladeiras têm a difícil tarefa de compartilhar de nossos sentimentos. Fato é que comer alivia um pouco os problemas. Mas, isso acaba com todo o mistério. Vamos até a máquina buscando reconforto alimentar; enquanto nos decidimos sobre o que comer, pensamos, e acabamos divagando e encarando o interior frio por sabe-se lá quanto tempo. O mais intrigante, porém, não foi dito ainda.

Quando estamos realmente encanados, recorremos à geladeira diversas vezes. Ainda que saibamos que não há nada lá, mas ainda assim abrimos a porta, olhamos, pensamos, e a fechamos aturdidos. Tão absurdo quanto isso é que, quando estamos procurando por algo, acabamos por vezes abrindo a porta da geladeira e procurando ali. Esses instintos que possuímos são tão fortes que nos levam a recorrer à comida num número tão grande de ocorrências, quando nos preocupamos? Apenas os mais bem adaptados vencem. É, ponto para a biologia. Ou então, esse “recorrer à geladeira” pode dar uma pequena idéia de como nosso pensamento é caótico, desordenado. Se não o fosse, por que outro motivo esses problemas nos levam a uma condição tal que buscamos qualquer coisa do prazer de comer? Pensamento racional – isso é puro “ha-ha” daqueles que cultuam a intelectualidade, a “cultura”, os assuntos importantes. Viva a inconstância caótica!, e viva a geladeira (e me desculpe, camada de ozônio).