Nonadism revisited

10 junho, 2008

ao som da trilha sonora do filme Magnolia

Nonada.

Coisas surgem, coisas são postuladas, catalogadas, estudadas. Infindavelmente. Infinitamente. Enquanto coisas sugirem, surgirá a apropriação humana delas, e, conseqüentemente, os estudos, catálogos, postulações.

Por mais que controlemos o conhecimento… Nonada é como surgem as coisas. Nonada é seu valor, nonada é o valor de seus derivados. Quando Gaia morrer, moreremos, enterraremos nossas diversões, nossos sofrimentos, nossos divertimentos, nossa sabedoria toda.

Nonada.

Nego tudo o que chegou até aqui.

Nego tudo o que há de chegar a partir daqui.

Pois o valor de tudo é nada, e nada tem valor de tudo, e paradoxos são formas chiques de se terminar um texto. Por isso não vou terminar aqui. Por isso apelo ao NONADA, para que, de uma forma sacrosantificada, numa religiosidade sintética, eu crie mais conteúdo inútil e que este se perpetue. Que criem postulações, catálogos e estudos sobre tudo isso, e que deitem pro chão, invariavelmente, como tudo o que é humano, como tudo o que é divino.

“[…]pergunte ao vento, à vega, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão:

“É hora de embriagar-se”! Para “não serem os escravos martirizados do tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso” Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.”

Manifesto Nonadista

22 abril, 2008

ao som de Eine Kleine Nachtmusik, do Mozart (sim, aquele viadinho)

Manifesto Nonadista

ou

O Grande Manifesto Que Fala Sobre Nada, Ou Quase Isso.

Só o nonada nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente. Humoristicamente.

NONADA. O fim de toda a Filosofia. Fim do Pensamento: a bomba atômica explodindo na mente humana e fazendo escorrer miolos liquefeitos pelo nariz.

Conexões junguianas pós-apocalípticas de humor negro: sincronicidade. Nonada. Fatigamo-nos de tanta hipocrisia filosófica: admitam, há coisas além de vós.

Ora, não sentem e esperem por respostas! Corram atrás delas, mas não achem que elas virão. Pois elas virão, mas virão nonada.

Certa vez disseram ser contra todos os importadores de consciência enlatada. Somos contra os importadores, os exportadores, os usuários. E somos importadores, usuários, exportadores da nossa.

Contra a intelligentsia. Os velhacos acadêmicos pseudo-intelectuais leitores de parnasianos em banheiras ricamente trabalhadas – comunistas, anarco-capitalistas, capitalistas: o ismo final é o nonadismo.

Estamos aqui pelo fim da história conhecida: pelo começo da Era Discordiana, pela Iluminação Nonadista. E a iluminação advém do Venerar do Ser, do Ser Feliz em Meio a Bosta. A Bosta está Feita, só nos resta rir e arrumar, ao esperar pela Chuva Divina de Nova Versalhes.

Não apelamos – o nonada impõe. Querem determinismo? Eis que ele surge – só lhes resta determinar suas conseqüências.

N o n a d a