Biblioteca da Cabala

19 abril, 2008

Eu abri a página da Biblioteca da Cabala. Lá vou colocar vários textos discordianos. Quem tiver alguma coisa que quiser colocar aqui, pode mandar pra mim pelos contatos que você encontra aqui na Cabala. Por hora, coloquei poucos títulos, mas só coisa boa:

Principia Discordia em inglês

Principia Discordia em português

Thundercats, GO #00001

A Seminovosofia do Polipensar

Era das Conseqüências – A Batalha de Learsi

1001 Gatos de Schrödinger Volume Um

TAZ – Zona Autônoma Temporária

CAOS – Terrorismo Poético e Outros Crimes Exemplares

Manual Prático de Delinqüência Juvenil

Na página da Biblioteca existe a descrição de cada um destes textos. Ou quase isso.

ao som da Sinfonia número cinco em C menor, primeiro movimento “Allegro con brio”, de Beethoven

É com grande felicidade que posto um dos mais importantes comunicados desta Cabala. Só hoje, dia 5 da Discórdia de 3174 YOLD é que venho lhes comunicar que o primeiro Principia Discordia artesanal desta Cabala, apesar de eu possuir este desde o dia 65 da estação que passou.

Como um bom discordiano, estou disponibilizando para vocês os fotolitos que usei para imprimir o livro, bem como algumas fotos inéditas da criança. Que fique claro que qualquer um que se dispuser a imprimir e encadernar o Grande Livro da Iluminação Eresiana está sujeito ao contado direto com muitos fnords, o que torna o processo extremamente perigoso se não for feito com cautela.

Agora, as fotos.

Principia 1 Principia 2 Principia 3

Principia 5 Principia 4

E o arquivo para você baixar e imprimir seu próprio livro: link

Conhece o Mário?

23 fevereiro, 2008

Ao som do álbum The Division Bell, do Pink Floyd

Mário Quintana explodiu o ego em zilhões de pedacinhos quando disse que “uma definição apenas define os definidores”. Deu uns tapadas na cara do velho Choronzon, pode acreditar. Definições são reflexos das verdades que cada um de nós carrega – tijolos que constituem as muralhas do ego. Mas, nunca, definições são Verdadeiras, no sentido amplo da palavra com o “V” maiúsculo, pois são as visões de pessoas, grupos, religiões, etc., e não a coisa-em-si. Voltando ao Mário, o cara foi discordianista quando disse aquilo; comparem com o que diz o Principia Discordia (e se preparem pra um pouco de psico-metafísica):

“Nós olhamos para o mundo através de janelas nas quais foram desenhadas grades (conceitos). Filosofias diferentes usam grades diferentes. Uma cultura é um grupo de pessoas com grades bastante similares. Através de uma janela nós vemos caos, e relacionamo-lo aos pontos na nossa grade, e assim o entendemos.”

(Principia Discordia, páginas 00049 e 00050)

Definições, conceitos ou grades são quase a mesma coisa, num certo sentido, que é o que estamos analisando. E esses tais de preconceitos? Ora, são pré-conceitos: conceitos, ou definições, ou ainda grades, que se sustentam em… Nada! Não são validados por hipótese ou fato algum; em suma, podem ser chamados, em primeira análise, de crenças. Juntemos os fatores: a citação do Mário, do Principia, e o que pensei sobre preconceitos. Essas coisas são eventos formadores do ego, do eu (não levem muito pro lado freudiano, mas sim pensem no significado da palavra latina ego, que em verdade significa “eu”). Esse ego é nosso modo de ver, pensar e agir sobre o mundo exterior, ou o que imaginamos ser o mundo exterior: algo como a caverna do Sócrates, mas mais cruel.

Eu venho lendo e refletindo sobre algumas coisas relacionadas à desagregação do ego, algo que é extremamente interessante. Primeiro, porque é um auto-exame moral, filosófico e cultural. Depois, pois esse exame geralmente leva a conhecer as coisas ruins e boas sobre nós mesmos. O diferencial é que a real desagregação do ego se dá pela perda da moral, da identidade cultural e religiosa (ou irreligiosa), da visão de todas as possibilidades e o reconhecimento que todas são reais, falsas e absurdas. E não tenho certeza até onde isso é interessante, mas experiência pessoal é sempre interessante. Conhecer a si mesmo, como sugeria o oráculo da ilha de Delfos, exige escolher, e para isso, analisar o que se tem, e criar algo novo se não houver nada com que se identifique.

O Mário me ajudou a descer um nível mais, e espero que instigue vocês.

Humanidade po Pasto

11 novembro, 2007

ao som da Sonata “Ao Luar”, No. 14 em Dó Sustenido Menor, Opus 27, No. 2 de Beethoven

Queria discorrer sobre a humanidade, então recorri ao po. Pasto é o que surgiu diante de mim quando recorri à página 153, primeiro substantivo após a 23a palavra do capítulo 72 das Memórias Póstumas de Brás Cubas. Nenhum livro melhor para consultar quando o assunto é o ser humano.

Pasto sugere bois, ovelhas. Somos, de fato, apascentados por um sistema, muitas vezes cruelmente castigados por fugirmos da conduta do bando. Nossa ovelhada, conduzida por verdadeiros pastores (ironicamente, alguns até recebem este título), farta de se deleitar no capim barato, farta de seguir ordens que parecem vir de acéfalos, é conduzida numa lógica ridícula.

Ora, inegavelmente esse sistema é falho. Afinal, se o projetarmos ad infinito, verifica-se que os recursos naturais que sustentam a produção são escassos e esse argumento basta para quebrar toda a lógica da coisa, que é produzir mais (o que necessita dos recursos limitados) em menos tempo (o que diminui o tempo, também, da disponibilidade dos recursos).

Ah, mas isso é sabido por todos, ao menos todos aqueles que constituem o público-alvo da Cabala. Vamos atacar de maneira discordiana, agora…

O sistema, ou seja, o conjunto de códigos, leis, normas, é algo sistematizado. Sistematizar é normalizar, tornar normal, organizado, padronizado, uniformizado. O sistema, então, reduz os seres humanos ao estado de uni(ca)form(a), dessa forma conseguindo um maior controle sobre as coisas produzidas por estes seres, uma maior eficiência. Mas, a que custo? Ao custo da singularidade de cada um, e, portanto, da pluralidade da humanidade. Isso causa danos severos, pois aqueles que negam vestir o uniforme para servirem o sistema são vítimas de preconceito e rótulos.

Analise pela palavra: “pré-conceito” remete a algo pré-formado, pré-concebido, estabelecido. Exatamente como padrões, que são previsões de como as coisas devem ser para que estejam “corretas”, na ótica do sistema. Alguém que não se encaixa nisso já está previamente julgado pelo sistema; assim, alguém anti-social, retraído, esquisito, é vítima de preconceito e rotulações.

Justamente por negarem sua paridade com o sistema são marginalizados. Anônimos de outrora que hoje são famosos (ainda que em segmentos marginalizados da sociedade) como H. P. Lovecraft, que, em sua época, não teve quase nenhuma representatividade.

Ainda sobre a normalização: organizar é ir contra a entropia natural das coisas. É negar o caos. Nosso universo começou com uma baixa entropia, ou seja, muito “organizado”. A tendência é, obviamente, se desorganizar; ao contrário disso, tentamos ir contra o sentido natural das coisas. E admitam, isso é um erro.

E que ligação tudo isso tem com o pasto? O pasto é o cenário onde ocorre a normalização, sendo o pastor o agente normalizador, e o rebanho os normalizados. As “ovelhas negras” são, em sua maioria, os discordianos, os artistas marginalizados, os revolucionários. O pascigo é, ainda, o alimento e os recursos do sistema, que são escassos. Nessa lógica, os pastores (novamente, uma ironia) são os culpados pela má utilização do pasto, e, mais, pelas desilusões do rebanho e as dores dos marginalizados.

A humanidade e seu pasto estão num rumo doentio. Felizmente, temos o contrapeso do discordianismo, que nos permite ver as coisas de um prisma deveras interessante. Por isso, perpetuemos as críticas!