Sim, nós podemos! #1

4 dezembro, 2007

ao som do disco Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles

Nós podemos deter o controle da distribuição da informação, coisa hoje dominada por núcleos empresariais (Abril, quem sabe?) e moldada de acordo com a necessidade das classes dominantes. E de várias maneiras. Discutirei algumas delas no decorrer dessa série de posts, porém, antes, vou tentar esmiuçar alguns conceitos.

As antigas sociedades exerciam seu controle social de diversas maneiras: o Tribunal do Santo Ofício (ou Inquisição, para ficar sem eufemismos), é um exemplo síntese. Hoje, porém, o controle pode (e é) exercido de outras maneiras, mais sutil e simples: o controle das informações. Isso é possível, pois vivemos o sonho capitalista da democracia e não estamental, ou seja, as pessoas acreditam que podem possuir tudo o que quiserem trabalhando, sejam estes sonhos a aquisição de determinado produto ou a ascensão social. Assim, controlando a informação que chega até a pessoa, faz-se a manutenção dessa ilusão. É uma “prisão para a mente”, para dar um ar místico-Matrix à coisa.

Mackenzie Wark propõe uma nova luta de classes, entre duas que chama de vetoristas e hackers. Vetoristas (em biologia, o barbeiro é o vetor da doença de Chagas) controlam três aspectos da transmissão de informação, que são estoques de informação, fluxos de informação e vetores de informação. Eles significam “os arquivos, estoques da informação”, “a capacidade da transmissão da informação” e “os meios de transmissão”, respectivamente. Dessa forma, os vetoristas são aqueles que controlam a informação, a classe dominante. Já os hackers, a antítese dos mesmos. Assim, são aqueles que combatem o poder da classe dominante, por meio da liberação daqueles três aspectos anteriores.

Nos próximos dois posts dessa série, irei discutir os modos legais e ilegais de hackear o monopólio da informação.